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Empresas Publicas - Empresas de capital Público

A generalidade das empresas públicas gera sistematicamente prejuízos e isso deriva de má gestão.

Fonte: Diário Económico Nos tempos que correm o pensamento dominante é que as empresas públicas são opção menos apropriada ao propósito genérico de um correcto desenvolvimento económico-social.

Importa acentuar que se trata de uma visão excessiva, algo unilateral, fruto de exame de insucessos talvez com insuficiente análise de causas, porventura uma apreciação afectada por considerações de carácter ideológico, sem ponderação de todos os prós e contras e sem ponderação de razões de condutas menos éticas e de práticas abusivas, incluindo ilegalidades.

Invoca-se que a generalidade das empresas públicas gera sistematicamente prejuízos e que isso deriva de má gestão, fruto exactamente de se tratar de realidade “pública”. Igualmente é observável que o Estado, ente público por excelência, sofre de má gestão.  Ler mais

 
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Na Constituição da República (cf. art. 82º) consagra-se a existência dos sectores público, privado e ainda do intermédio (cooperativo e social). Haverá que estudar males existentes e corrigi-los. Torna-se necessária uma cultura apropriada, ética, do que é o interesse geral, o bem comum. Há dificuldades, no caminho, mas é por aí que tem de seguir-se, tomando em atenção o que é bom e o que é mau, observando que nas opções humanas a imperfeição está nos homens que vão prosseguir as acções e menos nos sistemas, que podem estar racionalmente concebidos, visarem o interesse geral, o colectivo, mas serem desvirtuados nas aplicações.

Nas empresas públicas ocorrem em geral ou sistematicamente prejuízos. Porém, muitas vezes, o apuramento dos resultados assenta em contabilidade defeituosa. A fluidez do resultado contabilístico nas empresas públicas apresenta-se com mais peculiaridades. O resultado é diferença entre somatórios algébricos de proveitos e de custos do exercício. Ora, as empresas públicas são de grande dimensão e com baixo capital próprio. Existem pressões de opinião pública, partidários, sindicais, trabalhadores a reivindicar melhores aumentos salariais e benesses várias, por vezes menos compatíveis mas que a empresa pública tem de suportar, para evitar prolongamentos de greves que trazem agravamentos de prejuízos, muito fáceis, dada a conexão com o grande volume de investimentos – instalações, equipamentos, etc. O capital estatutário que o Estado verte nas empresas públicas, por políticas de carência orçamental, via de regra, será extremamente baixo. Por outro lado, como as empresas são públicas, um Estado democrático (governado pelo Povo e para o Povo) procura evitar práticas de altos preços que desfavorecem a população consumidora.

Prosseguindo considerações, anota-se que nas empresas privadas, mesmo de grande dimensão, os problemas anteriores não ocorrem. Se são grandes, monopólicas ou oligopólicas, conseguem concertações para aumentar preços (claro que em detrimento, nessa base, dos clientes). Nas grandes empresas privadas há menos abusos e desmandos. Algumas eram antes de capitais públicos e com as privatizações cessaram os habituais surtos de greves, comuns no Estado e nas empresas públicas.

Também se pode observar que os princípios da boa gestão são do conhecimento quer dos gestores públicos quer dos gestores privados. Os maus resultados nas empresas públicas e os bons nas privadas dependerá de aspectos atrás aludidos. Dir-se-á que se trata de problema cultural, de desrespeito pelo que é público, de todos. Cada pessoa procura para si e em desrespeito pelo que é dos outros. Nas entidades privadas a conduta dos gestores revela-se diferente, porque cada privado sabe que os outros privados estão a controlar, para não serem lesados. No que é público são poucos a sentir as coisas suas. E sabendo que não são suas e sim de todos entendem não valer a pena esforçarem-se demasiado. Eis a cultura que não é já de dever, de abnegação. Até há militares que perderam o culto do patriotismo – oferecem-se como voluntários em defesa de realidades que nada lhes respeitam, medindo riscos em contraposição de regalias que contam alcançar.

Rogério Fernandes Ferreira, Professor jubilado do ISEG/Gestão

Fonte: Diário Económico, em 5 de Abril


 

 
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